Apresentação
Como nasce
uma escola
Os projetos do indivíduo transcendem o intervalo físico de
sua existência: ele nunca morre tendo explicitado todas as suas possibilidades.
Antes, morre na véspera: e alguém deve realizar suas possibilidades que ficaram
latentes, para que se complete o desenho de sua vida. (Eclea Bosi – Memória e
Sociedade)
Como nasce uma escola? As pessoas que estão lendo este texto certamente ficarão curiosas
diante de tal interrogação. E se as escolas nascem, então elas têm vida?
E quem lhes dá a vida? A EMEF PROFESSOR LORENÇO MANOEL SPARAPAN nasceu no dia
01.02.1991 através do Decreto Municipal 29.506/91 assinado pela então prefeita
Luiza Erundina da Silva. A partir daí nascia uma escola que, como as pessoas, precisava de um nome para ser
batizada. Algumas escolas já nascem e são registradas com o seu nome de
batismo. Com a EMEF Sparapan, não foi assim. Ela recebeu inicialmente um nome
provisório, EMPG “Campo Limpo III”. Seu nome atual, Professor Lorenço Manoel
Sparapan, veio com outro decreto, o de nº 31.242/92 de 18.02.1992, publicado à
página 11 do D.O.M. de 19.02.1992. E de onde surgiu este nome? Lorenço Manoel
Sparapan foi um professor muito querido e respeitado pelos seus alunos, amigos e
colegas de trabalho. Trabalhou na EMEF Coronel Luiz Tenório de Brito e morreu
muito jovem, aos 31 anos, no dia 20 de junho de 1989. Além de ter sido um
profissional exemplar, ele acreditava que com o seu trabalho poderia contribuir
para a melhoria da qualidade de vida da comunidade local. Conhecia
profundamente as comunidades com as quais trabalhava, estando sempre disposto a
ouvir os colegas e alunos, oferecendo sempre uma palavra amiga e uma mensagem
de otimismo. O seu nome foi proposto, para nomear a escola, por um movimento
iniciado pelos professores pertencentes à Delegacia Regional de Ensino
Municipal, DREM-5, e pelos seus ex-alunos sob a liderança da Supervisora Ana
Maria Roveran.
Em sua trajetória, a
EMEF Professor Lorenço Manoel Sparapan vem trabalhando no atendimento à
Comunidade Jardim Capelinha, procurando sempre colocar em prática as ideias que
o Homem Lorenço defendia: “A educação é
um fator de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da comunidade”.
Em 1998, a escola iniciou o resgate
e divulgação das ideias e do trabalho do seu Patrono, Professor Lorenço Manoel Sparapan.
Este trabalho teve início com a troca de correspondências entre a Família
Sparapan e a escola e com a visita da Equipe Escolar à cidade de Brotas, onde
Lorenço viveu a sua infância. Lá foi carinhosamente recebida pela Família
Sparapan, e a partir deste encontro inicial, outros muitos aconteceram.
No dia 03 de maio de
1998, alunos, professores e funcionários participaram do desfile de aniversário
da Cidade de Brotas, como convidados de honra, representando “O filho de Brotas que emprestou o seu nome a
uma Escola Municipal na Cidade de São Paulo.” Foi um evento emocionante, tanto
para os professores e alunos, quanto para a família e amigos do Sparapan. Para
a escola, porque tornou a figura do patrono mais real e, para os familiares,
segundo eles próprios, porque a homenagem prestada ao ente querido os encheu de
orgulho e gratidão.
Em 20 de junho de 1998,
realizou-se, na U.E., a primeira Festa do Patrono, que contou com a presença da
comunidade, alunos, funcionários, da irmã, da mãe e do cunhado do Professor
Lorenço. Neste evento, os visitantes tiveram a oportunidade de ver uma
exposição de fotos que mostrava passagens da vida do Professor Sparapan. Aqueles
que o conheceram puderam relembrá-lo com saudades e os que não, passaram a
conhecer sua história e compreender o porquê do nome da escola.
Na verdade, o homem
Lorenço Manoel Sparapan se foi no dia 20 de junho de 1989, mas a EMEF que
recebeu seu nome no dia 18 de fevereiro de 1992, incorporou o seu jeito de ser
e os seus ideais de tal forma que o Homem
continua cada dia mais VIVO nos atos
e nas atitudes das pessoas que fazem a EMEF “PROFESSOR LORENÇO MANOEL
SPARAPAN”.
A
proposta deste livro era, a princípio, fazer um relato de práticas e de
experiências, mas como foi citado no parágrafo acima, a exemplo do Sparapan, os
profissionais que escolheram trabalhar
aqui se apaixonaram e se envolveram de tal forma com o trabalho e com a
dinâmica da escola que, em determinado momento, suas histórias de vida se
incorporaram à própria história da escola. Seus relatos não são somente relatos
de práticas, são histórias de vida contadas pelas suas próprias personagens,
outros são relatos da própria vida. A primeira parte deste trabalho traz alguns
textos mais teóricos, procurando orientar o leitor com relação à proposta
pedagógica da escola em questão, como se constituiu o seu Projeto Pedagógico, o
papel do diretor e da coordenação pedagógica, o trabalho com parcerias e a
formação de professores. Na segunda parte, estão as histórias de vida contadas
pelas suas personagens, professores e professoras que fizeram relatos de
situações vividas. São histórias emocionadas, algumas com finais felizes,
outras nem tanto, mas uma certeza todos temos, aqui o coração pulsa!
Maria do
Socorro Barbosa Figueiredo
Antes
Depois
Reflexões
sobre o papel do diretor na busca de uma escola pública de qualidade
Sonia Regina da Silva
Segundo o pedagogo Antonio Carlos Gomes da Costa, existem três perfis de diretor: o administrador, o pedagógico e o sócio-comunitário.
O administrador escolar mantém a escola
dentro das normas do sistema, cumpre portarias e prazos. O diretor pedagógico
valoriza a qualidade do ensino, constrói o projeto pedagógico e cria condições
para a capacitação do corpo docente e, finalmente, o sócio-comunitário se preocupa
com a gestão democrática e com a participação da comunidade.
Pensando nestes perfis busquei “me
construir” como diretora. Aprender a ser diretor é difícil, demorado e dolorido.
Mesmo trabalhando no coletivo, “ouvindo” o outro, a tomada de decisão acaba
sendo solitária e cabe a ele a administração das relações interpessoais, tarefa
nada fácil.
O grupo com o qual vai trabalhar, e que
não é escalado por ele, uma vez que se constitui, principalmente, através de
concursos públicos, tem que ser construído com investimentos no pedagógico, no
administrativo e nas relações interpessoais.
Outra questão importante na formação do
diretor diz respeito à transparência nas relações com a comunidade interna e
externa da escola, principalmente, no tocante à administração das verbas
públicas. É essencial para seu trabalho o respeito e credibilidade da
comunidade.
O diretor deve administrar a execução de
muitas tarefas alheias à Educação, mas, igualmente necessárias ao bem estar dos
alunos. Para o Poder Público, devemos ainda ter bons resultados nas avaliações
externas, cumprir prazos, atender metas, implantar políticas educacionais,
garantir condições físicas e materiais de trabalho, administrar verbas e manter
boas relações com a comunidade, com a chefia etc... Sendo assim, o trabalho na
escola muitas vezes é desgastante e perigoso. Embora percamos a voz, a
paciência e muitas vezes a saúde, existe um ganho: ficamos em contato constante
com crianças, adolescentes e com o mundo real. A escola reproduz em seu pequeno
espaço, o mundo todo. Nela, tudo acontece, de bom e de ruim. O “produto” final da
escola nunca está pronto ou perfeito. Há sempre muito por fazer. Não há rotina.
Nesta minha construção como diretora,
descobri que parceiros são essenciais, já que sozinha a escola não consegue
suprir todas as suas demandas. As parcerias fazem a diferença, possibilitando investimento
no prédio, em equipamentos, na formação dos professores, em atividades
extracurriculares para os alunos e, até, na própria comunidade, criando opções
de lazer e cultura.
Finalizando: ainda tenho alguns anos de
trabalho pela frente e pretendo esgotá-los todos nesta escola e nesta
comunidade, pois não acredito que existam escolas/comunidades perfeitas. Estas
têm que ser construídas, e é isto que estou tentando fazer, ou seja, dar a
minha contribuição na construção de um mundo em que eu ache que valha a pena
viver.
Construindo
o Projeto Político Pedagógico da EMEF Prof. Lorenço Manoel Sparapan
Sonia
Regina da Silva
O Projeto
Político Pedagógico da EMEF Prof. Lorenço Manoel Sparapan se iniciou em 1996,
quando a atual equipe começou a se constituir, por meio de um concurso público.
Logo no início do trabalho, a equipe percebeu que seria necessário enfrentar as
péssimas condições do bairro onde se localiza a escola, pois as ruas, terrenos,
córregos e o próprio espaço da escola estavam cheios de lixo. O saneamento
básico e o transporte coletivo eram deficientes e a insegurança preocupava os
moradores e funcionários da escola.
Estas constatações levaram a equipe a pensar
um projeto para a escola que objetivasse instrumentalizar a comunidade para que
pudesse atuar na mudança da realidade do bairro. As primeiras ações neste
sentido foram pequenas e pontuais, como: realizar o plantio de grama nos
barrancos da escola para evitar a erosão, fotografar o bairro para mostrar aos
funcionários e professores a realidade do local onde trabalhavam e retirar o
lixo e entulho do terreno da escola, já que a comunidade usava este espaço como
área de despejo.
Para se
construir um Projeto Político Pedagógico que pudesse atuar sobre esta e outras
questões era necessário antes investir na formação da equipe e dos professores.
Assim, em 1997, a escola iniciou uma parceria com o SENAC, GAIA e Fundação Julita,
para desenvolver o “Programa de Educação Ambiental na Comunidade” que investia
na formação dos professores, por meio de aulas de teatro, fotografia e vídeo,
além de visitas monitoradas a trilhas ecológicas e a entidades que trabalhavam
questões relativas à preservação do meio ambiente.
Esta
formação fortaleceu no grupo de professores a ideia de um projeto voltado para
o “Meio Ambiente e Relações Humanas”, que teria início formalmente no ano de
1998 e cujos objetivos poderiam ser resumidos da seguinte forma:
instrumentalizar o professor para que se transformasse em agente multiplicador
da conscientização sobre a necessidade de preservação do meio ambiente,
incentivar junto aos alunos e comunidade o trabalho com questões ambientais,
estimular a mudança de atitudes para a melhoria sócioambiental da região e
desenvolver um trabalho integrado entre as áreas do conhecimento nos diversos
anos do ciclo escolar. A inclusão da
questão das relações humanas no projeto foi necessária para que se pudesse
trabalhar o pertencimento dos professores, alunos e pais ao espaço escolar, uma
vez que a comunidade escolar não enxergava a escola como sua, o que trazia
problemas como pichação e depredação do prédio e uma grande rotatividade de professores,
o que dificultava o trabalho pedagógico.
A
construção do projeto teve início com a realização de uma pesquisa junto aos
pais dos alunos, objetivando levantar dados que possibilitassem elaborar um
perfil da comunidade para a qual a escola deveria trabalhar. A pesquisa apontou
como principais preocupações o desemprego, as enchentes, a violência, o tráfico
de drogas e a falta de infraestrutura como água/esgoto, luz, transporte e
pavimentação.
Desenvolver
um projeto que levasse em conta estas questões exigiu da escola o
estabelecimento de novas parcerias, desta vez com associações de moradores,
líderes comunitários, igrejas, posto de saúde e casas de cultura da região.
Destas parcerias resultaram ações como o plantio de árvores na escola e no
bairro, passeata em defesa do meio ambiente e oficinas de reciclagem e
reaproveitamento de alimentos.
Nos
anos seguintes, a escola ampliou sua rede de parceiros e participou de várias
ações por meio dos projetos: “Um milhão de Árvores”, “Horta Comunitária”, “POMAR”(SMVMA),
“Frente de Trabalho – Escola de Jardinagem” (Governo do Estado de São Paulo) e
“Brasil Campeão” (Fundação Dixtal). Estes projetos tornaram possível à escola reformar
praças, implantar playground, retirar caminhões de lixo que se acumulavam pelas
ruas e implantar jardins e hortas em espaços ociosos da escola e nas ruas do
bairro. A horta comunitária iniciada pelos funcionários foi uma tentativa de
produzir verduras, legumes e hortaliças para serem utilizadas no enriquecimento
da merenda dos alunos, mas a produção não foi suficiente. Este projeto teve continuidade em 2004,
quando, pela primeira vez, houve o envolvimento dos alunos e professores.
Também em
2004, a Secretaria Municipal de Educação criou o programa “Orçamento Participativo
para a Criança,” que visava ao exercício da cidadania desde a infância. Os
alunos da EMEF Sparapan participaram ativamente deste programa e apresentaram
várias propostas de investimento dos recursos públicos em obras, como a
canalização do córrego, que causava enchentes no bairro, construção de espaços
de lazer, instalação de lixeiras, asfaltamento das ruas, segurança, saneamento
básico, iluminação e transporte público. Conforme pode ser percebido, muitas
destas demandas já apareciam na pesquisa realizada pela escola e no Projeto Político
Pedagógico da unidade.
As parcerias
com a Philips (Projeto “Aprendendo com a Natureza”) e com a AVEPEMA –
Associação do Verde e Proteção do Meio Ambiente (Projeto “Fonte de Vida”)
iniciadas em 2006 trouxeram novos olhares para a questão ambiental. Alguns
professores passaram a trabalhar com o tema “degradação dos recursos hídricos
da região”, no qual levaram os alunos para fora do bairro e realizaram estudos
do meio que relacionavam a preservação do ambiente à qualidade de vida do
cidadão.
Por meio de uma parceria da escola com o IQE –
Instituto Qualidade de Ensino - para investimento na formação de professores, a
escola iniciou, em 2003, a parceria com o Instituto HSBC – SOLIDARIEDADE, que
promoveu várias ações como a formação de professores em informática, excursões,
viagens e palestras para os alunos, sempre tendo como tema a questão ambiental.
Em 2007, o Instituto firmou com a escola e a Associação “Plantando Paz na Terra”
uma parceria para desenvolver o projeto “Semeando as Quatro Ecologias,” que ofereceu
um curso de formação para professores, equipe e funcionários, cujo objetivo era
capacitar o grupo para implantar junto com os alunos um jardim/horta; o que foi
feito.
No
segundo ano do projeto, a proposta foi elaborar um currículo integrando o
trabalho de sala de aula com ações ambientais desenvolvidas nos espaços
externos da escola. Destacam-se duas ações do projeto em 2008. A primeira foi a
reforma da praça do bairro, com a participação dos alunos, transformando-a em
espaço de lazer. Para realizar este trabalho a escola contou com a participação
dos alunos, professores, funcionários, moradores do bairro, líderes
comunitários, comerciantes locais, políticos, administradores e funcionários da
Subprefeitura de M’ Boi Mirim. A outra ação foi a construção na escola de uma
rampa de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida e um
jardim pelos alunos, professores e funcionários.
Paralelamente
a estas ações, a escola vem desenvolvendo um trabalho junto à comunidade no
sentido de reduzir a quantidade de lixo jogada nas ruas e córregos do bairro,
bem como, implantar a coleta seletiva dos resíduos.
Concluindo:
a construção e execução de um Projeto Político Pedagógico exige, além do
conhecimento da realidade local, que a equipe da escola, nas figuras do diretor
e do coordenador pedagógico, tome para si a responsabilidade do seu fazer. A
gestão compartilhada da escola, a transparência administrativa e a participação
da comunidade trazem credibilidade para o trabalho pedagógico, o que atrai
sempre novos parceiros que possibilitam a realização do projeto e faz com que
as propostas da escola não se percam no transcorrer dos anos.
É
preciso deixar claro que o nosso trabalho não se resume à questão ambiental. Em
uma região na qual todos os problemas convergem para a escola é necessário
atuar em muitas áreas, como a saúde, segurança, trabalho etc. Sem esquecer que
a função primordial é trabalhar a educação formal, ou seja, permitir que todos
possam se apropriar do conhecimento socialmente acumulado pela humanidade.
Esperamos
que por meio do nosso trabalho possamos dar uma contribuição cidadã para o
desenvolvimento da humanidade e do planeta.
O papel do coordenador pedagógico na
construção do Projeto Político Pedagógico na escola
Maria do Socorro Barbosa Figueiredo
As portas
são inumeráveis,
a saída é uma
só, mas as
possibilidades
de saída são tão
numerosas
quanto as portas.
Franz
Kafka
Inicio este artigo citando Franz
Kafka, não somente para falar das possibilidades, mas das inúmeras situações de
emergência e de conflitos que permeiam o trabalho do Coordenador Pedagógico, no
seu cotidiano. Ele precisa estar sempre atento, buscando maneiras de desbaratá-las,
antes que se transformem em algo maior, e gerem, de fato, um grande problema.
Mas afinal, é este o papel do Coordenador Pedagógico na Escola: desbaratar
problemas e resolver conflitos?
Partimos do princípio de que a
instituição escolar tem um objetivo maior, que é o de produzir conhecimentos e
preparar os indivíduos para o convívio social. Desse modo, todos os
profissionais que transitam no ambiente escolar, do Diretor ao Agente de Serviços,
precisam estar conectados a este objetivo, e, para atingi-lo, é necessário
construir um Projeto Pedagógico. Aí então, entra a figura do coordenador
pedagógico, elemento fundamental não só na construção desse Projeto, mas,
também, na condução do seu processo de
desenvolvimento. É ele quem vai orquestrar as ações, no sentido de direcioná-las
coletivamente, visando sempre à construção do conhecimento. A consolidação
desse projeto se faz através do trabalho coletivo, alicerçado no estudo, e
conduzido pelo coordenador que vai dosando as horas de estudo com teorias,
estudos de casos, trocas de experiências e elaboração das ações a serem
desenvolvidas na sala de aula. Por outro lado, é
importante que o coordenador tenha clareza de que o seu trabalho não se dá isoladamente,
mas no coletivo. É fundamental o
direcionamento de toda a equipe escolar, com a finalidade de explicitar seus
compromissos com tal prática político-pedagógica, verdadeiramente
transformadora. Essa é uma maneira de garantir que os atores, de seus
diferentes lugares – professor, coordenador, diretor, pais, comunidade e alunos
– apresentem suas necessidades, expectativas e estratégias em relação à mudança
e construam um efetivo trabalho coletivo em torno do
projeto pedagógico da escola. Assim, as mudanças serão significativas para toda
a comunidade escolar, de maneira que as concordâncias e discordâncias, as
resistências e as inovações propostas se constituam num efetivo exercício de
confrontos que possam transformar as pessoas e a escola.[1]
Entretanto, nesse emaranhado de ações e
de atores, é natural surgirem os conflitos ou situações que requerem os
cuidados de um mediador. Mais uma vez, recorre-se à figura do coordenador
pedagógico em busca de soluções. Neste momento, o nosso maestro precisa olhar
para dentro de si e buscar, dentre as várias possibilidades, a mais acertada
para cada situação. E a resposta, às vezes, nem mesmo o próprio profissional a
tem de imediato. Dependendo da gravidade da situação, é preciso muita reflexão
e mobilização de saberes adquiridos e interiorizados ao longo da vida. Saberes estes oriundos não só da
formação acadêmica ou de cursos de formação, mas também através de anos de
trabalho, das experiências de vida pessoal, da própria cultura e do convívio
social. Enfim, o que eu quero dizer é que a possibilidade de acerto pelo
coordenador pedagógico advém da conexão entre formação e esses saberes, perspicácia, comprometimento profissional atrelado a um
grande “jogo de cintura”, muita crença no seu trabalho, muito amor e respeito pelo
que faz e pelas pessoas do seu convívio no dia-a-dia.
Nesse processo, é fundamental que o coordenador pedagógico seja alguém que saiba ouvir,
pois o ato de ouvir traz ao outro, enquanto ele fala, mudança na forma de se perceber, faz que perca o medo de apresentar-se.
O ato de ouvir permite ao outro tomar consciência de si e assumir-se como
sujeito.[2]
E, como um bom maestro, o coordenador pedagógico vai auxiliando o grupo a
compreender e elaborar as suas ideias, a “desenhá-las”, fazendo-as tomar corpo,
constituindo o Projeto Pedagógico em ação, tão almejado na escola.
A EMEF Sparapan e a
formação de seus educadores
Andréa Silva Abreu
Guilherme
É necessário que o
estudo faça sentido na nossa prática, otimizando este fazer, tornando-nos
consciente dele. Para tanto, é preciso que não a desprezemos e que consigamos
enxergar nela o espaço constituinte da nossa própria teoria. Constituinte
porque não está pronta, mas a caminho, em processo. Constituinte
de uma teoria que se assenta no confronto do que sabemos (e sabemos fazer) com
aquilo que nos acrescenta o outro, teórico. Saberes que sedimentam nossa
competência pedagógica e nos conferem a autoria sobre o que conhecemos, sobre o
que aprendemos ser e fazer.
Fátima Camargo
Penso que um educador se constrói por meio de
sua paixão, de sua prática e da teoria que o alicerça, mas tendo claro que
paixão sem ação é fogo que se apaga e, ação sem conhecimento é movimento sem
direção... Para tanto, é preciso que esteja sempre aberto a novas
possibilidades de aprendizagem e pronto para reescrever sua prática
cotidianamente, tornando-se autor dela. Nesse sentido, a preocupação com sua
formação deve ser uma constante. Na EMEF Sparapan sempre tivemos isto como
premissa e buscamos investir muito na formação dos educadores, visto que ela
alicerça o Projeto Pedagógico e é uma construção coletiva, na qual o grupo se
fortalece, troca experiências e se constitui como tal, imprimindo à escola a
sua “cara”.
Como em outras tantas escolas, na EMEF Sparapan
também nos deparávamos com as dificuldades de aprendizagem de nossos alunos,
que nos causavam preocupação e desânimo, uma vez que apesar de todos os
esforços não conseguíamos alcançar os bons resultados que tanto esperávamos. Além
disso, muitos de nossos educadores, embora bem-intencionados e esforçados, também
apresentavam dificuldades em sua prática. Assim, embora investíssemos em formação
nos horários coletivos e buscássemos apoio nos encontros de formação de Coordenadores
Pedagógicos, percebemos que sozinhos não “daríamos conta” de tal situação, tanto
por não atingirmos a todo o grupo, quanto por não dispormos de ferramentas que
abarcassem todas essas necessidades. Percebemos que seria necessária uma
formação continuada para todos e saímos em busca disso...
Como o processo de formação é amplo e pode
contar com a atuação de vários atores, dentro e fora da escola, e como a EMEF
Sparapan tem vocação para viver novas experiências, ao longo de todos esses
anos encontramos vários parceiros que nos auxiliaram e muito contribuíram para
a escola que somos hoje, por meio do desenvolvimento de projetos de formação.
Projetos estes, que mais do que trazer conhecimento, propuseram a mudança de
paradigmas, metodologias, visões de mundo, conhecimento, ensino,
aprendizagem... Propuseram que os educadores fossem senhores de sua prática,
movidos pela paixão atrelada ao rigor e à seriedade que educar exige. Dentre
essas parcerias, vivemos muitas experiências significativas, das quais destaco duas:
o PROVE[1] e o
Projeto Qualidade no Ensino[2], devido
ao fato de, cada um ao seu modo, ter auxiliado a escola a construir as bases de
seu processo de formação.
O PROVE (do qual participamos desde o seu início
em 1997 até 2005), foi uma experiência inovadora, pois nos permitiu vivenciar,
em conjunto com as demais escolas participantes, a plena gestão (tanto
pedagógica quanto organizacional) de uma formação articulada com as
necessidades das escolas e de seus educadores. Os formadores eram selecionados
atendendo aos seguintes critérios: experiência como professor em sala de aula
com crianças e adolescentes; valorização e respeito pela escola pública; comprometimento
com o trabalho em educação; formação e preparo técnico para desenvolver
projetos de formação com professores. Como os educadores podiam participar de
diferentes cursos de seu interesse, isto gerava neles grande motivação e
compromisso com sua formação, bem como uma maior articulação teoria-prática.
Foram momentos de paixão reacendida...
Já o Projeto Qualidade no Ensino discutia as
questões da língua e da matemática a partir do levantamento de habilidades a
serem desenvolvidas pelos alunos (tendo os PCNs como parâmetro) e do estudo,
planejamento e desenvolvimento de sequências didáticas para tal fim. Este
projeto promoveu a complementação da formação dos educadores tanto teórica,
quanto metodologicamente, sendo um grande aliado na construção de sua prática
cotidiana.
Aprender exige disciplina. O processo de
formação é árduo, exige atenção constante, olhar aberto e escuta respeitosa (mas
rigorosa) não só por parte da coordenação pedagógica (sua principal condutora),
mas também da equipe gestora como um todo. É necessário que o processo de
formação na escola aconteça de forma planejada e seja pautado em objetivos
claros. Caso contrário, corre-se o risco de ele “virar cinza”, uma vez que todo educador trabalha com fogo. Fogo do desejo.
O desafio do educador é educar esse fogo. Fogo mal educado transforma-se em
incêndio destruidor, porque indisciplinado não possibilita apropriação. Fogo
educado transforma-se em aquecimento interno, porque disciplinado, limitado,
possibilita apropriação, intimidade, conhecimento do outro e de si próprio.
(...) Pois fácil é incendiar... Difícil é deixar o fogo na chama, lamparina
acesa, alimentando, aquecendo seu coração pedagógico.”[3]
A
escola da minha formação
Rosa Rebelo
Nestes quatorze anos de trabalho no
Sparapan, vivenciei aprendizagens muito significativas, com o objetivo de
melhorar a qualidade das ações pedagógicas. As formações do IQE – Instituto
Qualidade no Ensino, o PROVE (Projeto Valorização do Educador) e projetos da
própria escola trouxeram fundamentação teórica e encaminhamentos que auxiliaram
muito no processo ensino– aprendizagem.
Outra prática que contribui para que a
escola desenvolva melhor seu projeto pedagógico é a realização de avaliações
semestrais com os pais, professores e funcionários. As devolutivas destas
avaliações e as tomadas de decisões desencadeadas a partir delas demonstram a preocupação
da escola em estar sempre se revendo.
Estas ações de acompanhamento fazem com
que eu sinta admiração por esta escola e me considere uma pessoa privilegiada
por fazer parte deste grupo. Um grupo que criou raízes, no qual aprendemos a
conhecer e respeitar a cada um. Muitos de nós já convivemos há muito tempo e
construímos um vínculo forte de amizade, nos apoiando nas dificuldades,
angústias e tristezas e compartilhando momentos felizes.
As mudanças no espaço físico (interior e
exterior), o desenvolvimento do projeto pedagógico, a constante busca de
parcerias são ações que estão registradas no histórico da escola.
É assim que eu vejo esta escola, um lugar
especial, com espaço para formação e que está sempre buscando a qualidade em
tudo que realiza. É muito bom fazer parte desta história!
Tabuleiro de Projetos
Gerson Ribas
Quando cheguei à EMEF Sparapan, logo
percebi a diferença entre esta escola e algumas pelas quais passei... Fui muito
bem recebido pela Direção, Coordenação, Professores e Funcionários! Em pouco
tempo, estava me sentindo em casa e, o
mais importante, com liberdade para trabalhar, com apoio de todos.
Considero a EMEF Sparapan uma família. Já
estou nela há cinco anos! Como o tempo passou rápido! Na verdade, quando as
coisas são boas, não se sente o tempo passar... Neste período, muitas coisas
aconteceram... Participei e desenvolvi projetos, aprendi, ensinei...
Dentre todos os projetos dos quais
participei e desenvolvi, o Projeto Xadrez é uma das minhas grandes realizações!
Desde o seu início, os alunos o abraçaram com prazer e dedicação! E, os resultados
apareceram, não só nas vitórias e troféus, mas também nas mudanças apresentadas
no rendimento em sala de aula... Uma das pessoas marcadas por este projeto foi um
aluno que se mostrava desinteressado e com rendimento abaixo do esperado. Com a
ajuda das professoras Edna, de Educação Física, e Márcia, da Sala de Leitura, o
convidamos a participar. Ele se identificou tanto, que modificou seu
comportamento totalmente em sala de aula. Tornou-se nosso melhor jogador e um
grande aluno! Até hoje, embora tendo concluído seus estudos, continua conosco
como monitor. Para mim, este é um dos motivos que faz dele um projeto de
sucesso!
Outro projeto marcante foi o “Semeando as
quatro ecologias” cuja filosofia é muito parecida com a minha, baseada na
manutenção do Meio Ambiente e no respeito a todos. Devido ao fato de ser uma
construção coletiva, permitiu uma grande aproximação e troca de saberes entre
professores, funcionários, equipe e alunos, como também a mudança e melhoria do
espaço externo da escola. Foram construídos canteiros, murais, rampa de acesso
para deficientes e, principalmente, um jardim- horta, que se tornou um espaço
muito agradável de convivência e aprendizagem para todos.
Quero destacar também eventos que
considero especiais nesta escola – a Festa Junina e a Mostra Cultural! Acredito
que neles, mostramos a capacidade da Família “Sparapan” de mobilizar a todos e
utilizar as habilidades de cada um em prol de um projeto coletivo. Todos são peças
importantes! Na Festa Junina se prioriza a alegria e o prazer de festejar junto
com a comunidade e na Mostra Cultural o aprendizado e o compartilhar com amigos
e parceiros.
Para finalizar, quero agradecer a
oportunidade de conviver nesta família, aos que passaram por esta casa e, de alguma
forma, contribuíram para chegarmos a esta comemoração e, também pelo apoio
recebido para a realização do meu trabalho! Peço a Deus que, enquanto eu puder
contribuir com esta família, possa permanecer aqui junto com os demais.
E como nada é por acaso, “FAMÍLIA
SPARAPAN”, continuemos assim, unidos e confiantes em nosso trabalho, pois podem
acreditar que fazemos a diferença para esta comunidade e para este bairro...
Lendo e Aprendendo
Marcia Ednéia Donato de Souza
Cheguei ao Sparapan em 2008 e
lembro-me que tive uma excelente recepção. Desde o início gostei muito do
ambiente e das pessoas, e isso me fez optar por continuar na escola.
Sou professora de Língua Portuguesa
e até 2009 lecionei no Ensino Fundamental II. Em 2010, surgiu a oportunidade de
trabalhar na Sala de Leitura. A princípio, apesar de gostar muito da área, tive
um pouco de receio, mas aos poucos me acostumei com a ideia e aceitei o novo
desafio.
Passei a ser então “Orientadora de
Sala de Leitura” e a trabalhar com todas as salas da escola (Ensino Fundamental
e EJA), o que foi de difícil adaptação, pois são públicos totalmente
diferentes. O trabalho nesse espaço consiste em apresentar o acervo aos alunos,
propiciando a oportunidade de ler por prazer. Apresento-lhes os gêneros
textuais, os livros, textos variados, revistas, jornais etc. Tento passar para
eles a importância de ser um leitor competente, sem cobranças ou exigências.
Nesse pouco tempo de experiência
tenho tido muitas alegrias e algumas decepções. Tem sido gratificante trabalhar
com o Ensino Fundamental I, pois as crianças trazem um encantamento pelos
livros e pelas estórias, que, muitas vezes, os adolescentes e os adultos não
têm ou já se esqueceram. Assim acaba sendo extremamente difícil resgatar esse
gosto nesta faixa etária.
É difícil convencer uma sociedade
que não valoriza a educação de forma adequada sobre a importância da leitura.
Muitos alunos acham que ler é sinônimo de perder tempo, e é por esse motivo,
que acredito que o trabalho maior deve ser com as crianças, para que elas cresçam com
uma visão diferente, valorizando cada oportunidade de ler um bom livro e tendo
consciência de que ler é investir em nós mesmos. Acredito, como professora de Português,
que por meio da leitura as portas do conhecimento se abrem e quando me sinto
frustrada é porque não vejo entusiasmo nos jovens quanto a essa possibilidade
de crescimento. Mas, por outro lado, acredito que nunca devemos desistir...
Aqui, no Sparapan sempre gostei
muito de participar de todas as atividades. Gosto de ir às excursões e estar
nos eventos, pois isso me possibilita participar da vida dos alunos também fora
da sala de aula. Tive experiências ótimas com alunos com quem pude manter esse
contato maior. Fomos ao cinema, conversamos sobre vários assuntos e isso mudou
nosso relacionamento dentro da escola. Criamos uma confiança maior, uma
cumplicidade... Em 2010, fiz com esses alunos um livro de lembranças para que
pudéssemos guardar os momentos importantes que passamos aqui. Foi um trabalho
gratificante, pois ao final do ano eles se emocionaram lendo o livro e ficaram
realmente felizes com o resultado. Fizemos também uma feira de troca de livros
e alunos que se mostravam distantes e desinteressados compareceram à Mostra
Cultural da escola e participaram desta atividade.
Posso dizer que nesses três anos de
Sparapan aprendi muito com todos, alunos e colegas de trabalho, e espero
continuar aprendendo cada vez mais. Cada dia é um novo desafio e aqui sei que
posso contar com muitas pessoas que me ajudam e me apoiam. Temos um ambiente
cercado de carinho e amizade e não é em qualquer lugar que podemos encontrar
tudo isso.
Estou muito orgulhosa de fazer parte
desses vinte anos de história!!!
Pensando bem...
Maria José Teixeira Pereira
Ainda que seja
na primeira ou última prateleira, todos temos lembranças guardadas na gaveta.
Quando aqui cheguei em 1994, a sensação era de
estar descendo para um buraco, pois, as salas de aula estavam abaixo do nível
da rua e isso me incomodava um pouco; mas pulemos essa parte da história.
Vivi no
Sparapan os melhores dias da minha vida profissional e dias maravilhosos da
vida pessoal. Aqui foi a escola na qual mais tempo passei, desfrutando daquilo
que aprendi com alunos, professores e funcionários.
Não posso deixar de falar da minha vida pessoal,
ela está entrelaçada com as pessoas que fazem parte desse grupo “sparapanense”.
Aqui, Deus me deu o privilégio de conhecer gente amiga, dentro e fora do
ambiente escolar. Confesso que hoje é muito difícil ficar longe da escola por
muito tempo. [1]
Nesta escola
ensinei dezenas e centenas de alunos (eles não sabem e é claro que, você que
está lendo não vai contar), mas quem mais aprendeu com eles fui eu.
A cada ano as crianças das turmas com as quais
trabalhei me ensinavam a melhor maneira de como ajudá-las, porque me davam as
dicas, eu só as seguia. Deu certo!
Sempre fui
uma professora feliz aqui. Aproveito para lembrar aos “velhos” e compartilhar
com os mais “novos”, do nosso primeiro passeio coletivo ao sítio do professor João.
Foi quando conheci minha amiga Elenice, que representa, nestas memórias, todos os
queridos da minha vida nesta escola. Neste dia só deixei o povo dormir após dar
meu “boa noite” cantando o nome de cada um dos que dormiam na casa (eram
quarenta pessoas!!!).
Em uma outra oportunidade fizemos uma excursão ao
Beto Carrero e, no ônibus, foi realizado um lindo concurso e, é claro que,
ganhei a faixa de Miss Simpatia; faixa essa que tenho até hoje para não
esquecer que sou simpática.
Ah! Não
posso deixar de falar de outro passeio a Angra dos Reis - Rio, lugar
maravilhoso! Neste passeio pude colocar em prática minha profissão de
salva-vidas. Lembra, Andréa? Pensando bem...
os passeios, as nossas saídas e as festas em que nos encontramos, são
responsáveis por tornar os laços de amizade mais sólidos, sem esquecer que a
nossa diretora contribuiu e ainda contribui para isso.
Sparapan é uma escola de muitos projetos, alguns
muito marcantes em minha vida. Recordo-me
de quando desenvolvemos um projeto com a história de Chapeuzinho
Vermelho com uma turma, naquele tempo, chamada de “multirepetentes” . Foi logo
que cheguei, quando ainda achava que a escola era um
buraco. Aqui as
crianças me deram um banho de conhecimento e também de aprendizado. Elas relacionaram
cada personagem da história a pessoas e situações do cotidiano. Chapeuzinho
Vermelho, eram eles, ora cumprindo os combinados, ora quebrando-os; a vovozinha,
naquele momento, representava a escola, distante da família e um tanto
adoentada; o Lobo Mau era muito bem representado por tudo de ruim que acontecia
na comunidade em que eles viviam; o Caçador representava o policial. Ah! E... pensam
que esqueceram a mamãe de Chapeuzinho Vermelho? É claro que não! Essa
tinha que ser a Mazé, a própria professora deles que combinava as regras do dia
a dia e realizava uma coisa bacana e prazerosa para eles: o tão esperado
momento das histórias infantis. Adivinhem... chorei, chorei e chorei. A partir
daí, senti necessidade de investir mais nos meus estudos, resolvi então fazer
uma faculdade para entender melhor o desenvolvimento do intelecto das crianças
e adolescentes, que muitas vezes dependem de nós.
Com a mesma turma realizei uma peça natalina para o
encerramento do projeto, e surgiu em minha pele um ma – ra – vi – lho - so Papai Noel, com um saco cheio de balas, a distribuir para as crianças com suas
carinhas deslumbradas e felizes!
Pensando
bem... aqui fui muito feliz. Conheci pessoas de grande valor, do jardineiro do
Sparapan ao Presidente do HSBC ... Fiz
amigos, chorei, fiz chorar, conheci meu marido (que passou a ser “nosso marido”
por parte das meninas, claro), e até cantei com Beth Carvalho e Oswaldinho da
Cuíca. Tudo porque faço parte desse grupo.
Penso que uma escola de qualidade começa assim
mesmo, com projetos, pessoas comprometidas que ensinam os alunos a valorizar as
diferenças, e por aí vai...
Pensando bem... o buraco ao qual me referi no
início, não existe como buraco. Hoje
está nivelado ao que existe de bom para esta comunidade e para a vida de todos
nós, profissionais da educação, que por aqui passamos, deixando um pouquinho de
nós mesmos como um “temperinho” a mais para os que ainda permanecem.



Umas das melhores definições do que é uma gestão democrática, parabéns!!!
ResponderExcluirAhhh que legal ler este conteúdo! Fiz parte dessa história onde iniciei os estudos no ano de estreia da escola. Tenho boas lembranças apesar de na época ser uma escola muito deficitária. Participei também do desfile em Brotas onde ficou para a história. Gostaria muito de ter contato com professores que tive aí... Prof Leia da 1 série em 91, Prof Nádir de Ciências da 3 série que era muito elegante e sempre nos corrigindo na forma de sentar rs, Prof Conceição de matemática linda, nossa globeleza que fez eu me apaixonar por matemática, Prof Lia também de Matemática com seus cabelos longos e de óculos, Prof Rosiris de Português doidinha ... rs, Prof Ricardo de História que era ótimo. Hoje entendo que eram guerreiros todos eles, pois já na época era muito difícil exercer essa profissão. Enfim Obrigada a todos por participar da minha formação.
ResponderExcluirUm abraço a todos e aos alunos de hoje nunca deixem de estudar. O conhecimento sempre será a nossa maior arma contra as pessoas mal intencionadas que governam nosso país.